Marinete
Magalhães de O. da C. Jorge
[...] A pessoa com surdez possui perda
sensorial auditiva, o que a limita biologicamente para a função de ouvir, mas
por outro lado, dispõe de toda uma potencialidade do corpo biológico humano e
da mente que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando essas
pessoas capazes, como ser de consciência, pensamento e linguagem. [...]
Para
a mesma autora, a visão desfocada do real problema da educação dessas pessoas,
se deve ao fato de ter-se considerado como prioritária uma proposta de trabalho
voltada ao ensino focado no uso de uma ou de outra língua, junto às pessoas com
surdez o que contribuiu para separação de um grupo do outro (ouvintes e
falantes), consequentemente contribuindo para não inclusão destas. É com o
sentido de descentramento identitário que concebemos a pessoa com surdez como
ser biopsicossocial, cognitivo, cultural, não somente na constituição de sua
subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimento. (DAMÁZIO 2010).
Contudo, a inclusão escolar não ocorre
ainda da forma como deveria, principalmente, nas escolas carentes de materiais
e profissionais qualificados. Observamos, com base nos estudos atuais sobre a
inclusão das pessoas com surdez, que para proporcionar adequadamente a inclusão
destas, os professores devem contemplar mais que uma língua, mas contribuir com
ações transformadoras no sentido de garantir a pessoa com surdez a educação bilíngüe.
Com base no Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, já que a consolidação da
inclusão para pessoas com surdez tem como tendência, além da prática da
educação bilíngue voltada a abordagem para a educação linguística da pessoa com
surdez, favorece o deslocamento do olhar especificamente lingüístico para
outros entornos: a Libras e a Língua portuguesa, conforme Damázio .
[...] Mais ainda
reconhecer que devemos ir além da língua. As pessoas com surdez precisam de ambientes
educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva,
que as escolas se transformem em ambientesde descobertas criativas no sentido
de buscar soluções, visando manter os diversos alunosno espaço escolar,
levando-os a obtenção de resultados satisfatórios em seu desempenho acadêmico e
social. [...],
Damázio (2007).
Dessa forma, a atenção deve estar
centrada, primeiramente, no potencial natural que esses seres humanos têm,
independente da deficiência, diferença, limites ou mesmo da característica
surda. Assim, como deve ser construindo e oferecido ao aluno com surdez o
Atendimento Educacional Especializado, por meio da Politica Nacional de
Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, disponibilizando serviços e
recursos que atendam as diferenças desses alunos nos três momentos didático-pedagógicos:
Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional
Especializado de Libras; e o atendimento Educacional Especializado para o
ensino de Língua Portuguesa, Damázio, (2007). O AEE nos três momentos didático
tem como objetivo beneficiar, com ambientes inclusivos de aprendizagem nas
escolas comuns, os alunos com surdez, pois a Língua de Sinais é uma alternativa
que possibilita a integração entre o professor/a e o/a aluno/a com surdez e os
processos de ensino e aprendizagem, onde a linguagem utilizada pelos ouvintes
comuns é a oral; a usada pelas pessoas comsurdez é a libras. Só assim
acontecerá a verdadeira inclusão dessas pessoas.
REFERÊNCIAS
DAMÁZIO,
Mirlene F. M., ALVES, Carla B, FERREIRA, Josimário de P. Atendimento Educacional
Especializado: Abordagem Bilíngue para Pessoas com Surdez. Fortaleza, UFC,
2010.p. 09-22.
DAMÁZIO,
M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do aluno com
surdez. Capítulo 5, 6 e 7. São Paulo: Moderna, 2010.